SANDÁLIAS DO PIRATA

16/07/2011

E o barco vai afundando …

Filed under: POLITICA — julio pegna @ 8:45 PM

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AFINAL, DEMOCRACIA É GARANTIA DE BEM ESTAR

E CRESCIMENTO ECONÔMICO?

 

A resposta é simples e óbvia: NÃO!

A crise econômica que afeta a Comunidade Européia e os Estados Unidos – maiores democracias do planeta – comprovam a afirmação acima.

Milhões de trabalhadores dos países mais democráticos do mundo estão, neste momento, afetados pela irresponsabilidade de seus governos, seja pela falta de emprego, seja pelo endividamento particular que cada um deles foi levado a produzir, via consumo capitalista.

Por outro lado, as Nações que demonstram maior poder de reduzir os efeitos da crise econômica atual são aquelas em desenvolvimento: Brasil, Russia, India, China e África do Sul. Destas, provavelmente apenas o Brasil seja plenamente democrático; mesmo assim, com sensivel atraso em relação a UE e EUA, visto que certas áreas, como saúde e educação, ainda não atingem a totalidade da população. E, convenhamos, ainda estamos engatinhando no quesito bem estar.

Russia, India, China e África do Sul são países ainda mais distantes da democracia pregada como ideal pela Europa e EUA; Russia, India e África do Sul vivem às voltas com tensões internas de grupos separatistas, religiosos ou étnicos isolados das decisões politicas, e a China, ainda comunista, não pode nem ao menos ser classificada como um país democrático na sua essência, que é a liberdade individual.

Então, qual a relação entre democracia e bem estar? Entre democracia e crescimento econômico?

Esta crise, grave – e, talvez, irreversivel do ponto de vista capitalista – demonstra a fragilidade do sistema. É tão antiga e previsivel que os governos do bloco europeu e dos Estados Unidos adotam medidas desde o pós-guerra fria para tentar frear o caos. Paradoxalmente, foram estas as medidas que nos colocaram à beira da falência do capitalismo, cuja lógica é o consumo e o livre mercado.

A não relação entre democracia e bem estar começa a ser defendida por alguns teóricos ocidentais. O inglês “Financial Times”, por exemplo, tenta desenhar um paralelo entre as crises norteamericana e européia que, históricamente, seguiram padrões distintos de desenvolvimento com democracia.

Enquanto a União Européia consolidou seu crescimento com certo intervencionismo estatal, com determinados benefícios para os assalariados e garantias na saúde e educação, os estadunidenses lastrearam seu desenvolvimento no livre mercado, na iniciativa privada e na flexibilização do mercado de trabalho. Ambos, entretanto, enfrentam as mesmas consequências de suas irresponsabilidades, e não sabem mais o que fazer!

Gideon Rachman, editor chefe do FT, disse que “o problema básico é o mesmo. Os Estados Unidos e a União Européia têm suas finanças públicas fora de controle e possuem sistemas politicos que não conseguem resolver o problema. A América e a Europa estão afundando no mesmo barco!”.

Em editorial, o francês “Le Monde” afirma que as democracias ocidentais deste começo de século XXI estão “todas gravemente endividadas. Além do mais, esse endividamento público precede a crise financeira de 2008-2009”. O momento atual parece ser o resultado de anos de práticas nocivas nas economias da Europa e dos EUA.

O que se apontava como a solução de todos os males – o mercado – acaba sendo o motor da derrota. Em determinado momento, os agentes econômicos privados acordaram para o mundo real, e enxergaram diante de si a falta de credibilidade que os governos capitalistas criaram. O endividamento além da capacidade de liquidação das dívidas gerou o medo de perder dinheiro, e os capitais começaram a circular de forma confusa, desconexa e arriscada atrás de lucros, ou para diminuir os prejuízos. Lei de mercado …

As seguidas guerras em que os países democraticos ocidentais se meteram desde meados do século passado tem significatica parcela de (falta de) responsabilidade nas consequências que hoje atingem o mundo. Engana-se quem pensa que só os EUA fizeram guerras. Na imensa maioria delas, pelo menos nas mais recentes, quase todos os paises europeus enviaram tropas e material bélico, além de Austrália e Canadá. A qual custo?

Chegamos ao ponto de ter que encontrarmos uma solução. E rápido. As populações que agora começam a sofrer graves danos econômicos – falta de emprego e perda de poder aquisitivo – parecem querer reagir. Não estão habituados a reduzir o consumo nem a perder o status quo. As interrogações quanto à definição do rumo a ser seguido pelos governos são imensas e o custo social, ainda maior.

Por enquanto, gregos, irlandeses, espanhóis e portugueses se manifestaram. Na França e Itália, timidamente. Ainda. E quando os norteamericanos notarem que passam por problemas, que terão de reduzir suas compras e seus desperdicios, como será a reação? Pior, tanto republicanos quanto democratas seguem a mesma cartilha capitalista, portanto, mudar de governo não muda a crise.

Os meios disponíveis para solução estão esgotados. Jogar dinheiro no mercado, reduzir taxa de juros a quase zero, interferir nas bolsas e nos mercados de futuros, criar barreiras alfandegárias, enfim, nada disso é capaz de trazer de volta a credibilidade que o mercado tanto deseja. Pelo contrário, coloca mais pulgas atrás da orelha de quem investe, pois aumenta o rombo nas contas públicas. E, notem, os discursos eleitorais dos chefes de Estado da UE e EUA prometem ainda mais recursos públicos para a população, inclusive Barack Obama que se comprometeu na reforma do sistema de saúde e ajuda aos mais pobres.

Como será, então, que vamos superar esta crise?

A única saída – e começa a existir um grupo de filósofos que expressam este sentimento – será o fim do livre mercado, um modo CAPITALISMO FLEX mais rígido, onde o controle dos meios de produção sejam mais efetivos, onde a quantidade de dinheiro investida seja proporcional à geração de riqueza do povo de cada Nação, bem diferente do que ocorre hoje. Leia aqui o que este blog falava ainda em 2009 sobre o comportamento dos EUA na economia.

Ainda assim, terão enormes dificuldades os países democraticos capitalistas para assumirem o fracasso do modelo. Quem acredita que um candidato americano irá dizer, OK, vamos ficar de olho nos investidores especulativos e nas empresas que não geram emprego mas tomam dinheiro do governo. Quem terá coragem para tanto?

Voltando para a economia interna do Brasil. O modelo escolhido pelos dois governos do PT é bastante diferente dos anteriores, e bem distante da Escola de Chicago e do Consenso de Washington. A China, idem. O mesmo para África do Sul, India e Russia, que optaram, como nós, para o crescimento interno com distribuição de renda.

O que assusta os neoliberais americanos e europeus é que nós, estes países que passam ao largo da crise, criamos meios de sustentar nosso crescimento e consumo; estamos trazendo para a economia aqueles que sempre estiveram à margem dela. Esse movimento gera crescimento interno, sustentável e seguro, enquanto o resto do mundo democrático e capitalista patina na onda da economia fora de controle.

Em certo momento, de uma forma ou de outra, a crise vai passar e a superação deixará lições. Mas é importante, desde já, sabermos que a democracia não está atrelada ao bem estar da população; que se pode, a depender das escolhas que se fazem, alcançar melhores resultados. E estas escolhas não podem estar amarradas ao capitalismo da forma que existe hoje.

Para finalizar, e para que fique bem claro o ponto de vista deste blog, o navio da democracia capitalista está afundando. A máscara atrás da qual o ocidente democrático capitalista se esconde vai cair; o que precisamos é ter liberdade o bastante para dar um basta na brincadeira de mal gosto em que nos meteram. A dáemocracia é um meio, desde que os povos mais desenvolvidos entendam que está na hora de repartir o que acumularam até hoje. É fundamental, mas deverá servir para produzir mudanças que coloquem os interesses coletivos na frente dos individuais; dos interesses de todas as Nações e não somente daquelas mesmas de sempre.

Porque, no capitalismo atual, a democracia tornou-se apenas um instrumento de compra de modelos econômicos que, comprovadamente, não funcionam mais.

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